Centenário, mas inovador: a importância do eletrocardiograma

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A História registra que o primeiro eletrocardiograma foi realizado em 1887, em Londres – já são mais de 130 anos desde sua criação. Naturalmente, olhar para esse exame centenário nos traz dúvidas quanto à sua aplicabilidade ou utilidade nos dias de hoje. Porém, o ECG, como é chamado, soube se renovar e conquistou outros patamares no diagnóstico moderno; assim, a importância do eletrocardiograma nunca se esvaiu, ao contrário.

Desde sua criação, tem tido um papel central para a Cardiologia – é um exame de extrema relevância que acompanhou as consultas cardiológicas e ganhou força com o passar das décadas. Por volta de 1970, por exemplo, os recursos médicos no Brasil ainda eram escassos, e ele se destacava.

Dr. Carlos Alberto Pastore
“Interpretação no ECG é essencial”, afirma Dr. Carlos Pastore

Trata-se de um procedimento rápido e indolor, que amplifica e registra os impulsos elétricos do coração. “Até hoje, é um exame muito barato, e isso deve, sim, ser levado em conta: o custo é um ponto importante, sobretudo quando consideramos os pequenos centros médicos ou mesmo as instituições mais remotas, fora da capital”, alerta Dr. Carlos Alberto Pastore, coordenador dos cursos de Eletrocardiograma oferecidos pela Escola de Educação Permanente (EEP HCFMUSP).

Ainda no século XX, a criação e desenvolvimento de novos métodos diagnósticos causaram um efeito contraditório: ao mesmo tempo em que o ECG era mais utilizado, até para possibilitar a comparação de resultados, era também preterido, pois todos queriam testar os novos equipamentos. Pode, então, ter havido dúvidas sobre a importância do eletrocardiograma – no entanto, injustas.

 

Interpretação é a palavra-chave

“É essencial a interpretação no ECG. Afinal, ele é uma linha contínua com uma série de atividades elétricas, e o médico precisa olhar aquilo e conseguir traduzir, dizer algo. Lembro que, em 1975, fazíamos laudo à distância, por fax, pois realizar o exame não era difícil; a dificuldade estava em fazer sua leitura”, afirma Dr. Pastore. “O fato é que, se você fizer uma interpretação apurada do resultado, consegue boas informações, que podem fazer a diferença no diagnóstico”, completa.

Acompanhando o avanço da tecnologia empregada nos equipamentos médicos, o eletrocardiógrafo também se sofisticou: tornou-se menor, mais fácil de transportar, capaz de produzir exames mais rapidamente, com dinâmica e traçados aprimorados.

“Quando o InCor foi aberto aos pacientes, em 1977, ele adquiriu um ECG da Hewlett-Packard que já dava certa interpretação do exame, e isso só avançou”, comenta. “Hoje, os aparelhos são sofisticadíssimos, fazem leitura, fornecem índices, e é possível fazermos o ECG com o vetorcardiograma – são tão compactos que nos deslocamos pelas clínicas e hospitais com os dois equipamentos.” O vetorcardiograma representa graficamente a magnitude, intensidade e a direção das forças elétricas do coração através de alças espaciais.

 

A identificação das falhas elétricas

Dr. Pastore ressalta que o avanço tecnológico aprimorou muito o equipamento e o exame; hoje já há Inteligência Artificial no ECG: “No fim dos anos 2000, a biologia molecular e a genética se desenvolveram muito, e começamos a descobrir doenças em pacientes que não tinham nada no coração – eles tinham apenas uma falha elétrica”.

O fato é que as condições elétricas não dependiam das alterações na anatomia do coração – então, ao realizar o exame no passado, parecia tudo certo; porém, havia mutações que levavam a falhas intermitentes, desencadeavam a arritmia e matavam. Nessa época, o exame passou a possibilitar a identificação dessa falha elétrica, o que comprova a importância do eletrocardiograma até os dias de hoje.

“Houve um boom nas discussões de eletrofisiologia, o ECG voltou a fazer parte das conversas e tornou-se o foco de estudo para a arritmia”, explica Dr. Pastore. De fato, houve uma grande mudança tecnológica e também no modo de interpretação do exame; hoje, é preciso entender o que acontece no coração, para depois interpretar seu resultado.

“Inicialmente, a importância do eletrocardiograma consistia no entendimento do que se passava com o músculo do coração (miocárdio) e em seus vasos (coronárias e artérias), e, mais recentemente, passamos a ler seu sistema elétrico. Agora, estamos entendendo os detalhes dessa parte, fazendo o diagnóstico de doenças raras, mas fatais”, afirma o coordenador.

Dessa forma, o entendimento do exame e a atualização de conhecimento são imprescindíveis para atuar na área da Cardiologia. A EEP oferece na área médica um curso básico, um curso avançado e discussões práticas de casos clínicos, nos quais o ECG é essencial. Informe-se e mantenha-se pronto para o mercado!