HACKMED – Conference & Health Hackathon: grande evento de inovação em saúde do Brasil

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Você já ouviu falar de hackathon? Nada mais é que uma maratona de programação na qual hackers e especialistas em tecnologia se reúnem por horas, dias ou até semanas para explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou hardware.

Em 2011, membros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), de Harvard e da comunidade médica norte-americana perceberam que o modelo tradicional de hackathon poderia ser aplicado na área da saúde – e então fundaram o MIT Hacking Medicine e a metodologia do Health Hacking. O objetivo é unir alunos, pacientes, membros da comunidade médica e profissionais de diferentes formações para empoderar as pessoas a serem agentes transformadores de seu próprio ecossistema.

E já que há a possibilidade de que todos juntos tenham o poder de ajudar o sistema brasileiro de saúde, foi criada a primeira edição no Brasil do HACKMED Conference & Health Hackathon, que será realizado em 31 de janeiro a 2 de fevereiro de 2020, no Hospital das Clínicas – FMUSP, em São Paulo.

“O modelo de hackathon criado no MIT visa uma abordagem multidisciplinar para solucionar os problemas da área da saúde. Dessa forma, qualquer profissional ou estudante, independentemente da área de formação, pode contribuir e se beneficiar do evento”, explica Cauê Gasparotto Bueno, acadêmico da Faculdade de Medicina da USP, fundador e codiretor do HACKMED.

Durante três dias do HACKMED, dividido em duas partes, serão reunidos profissionais e estudantes de diferentes áreas. No primeiro dia, haverá conferências nacionais e internacionais para discutir empreendedorismo, liderança e inovação, com foco especial na área da saúde. Já a segunda parte trata-se do hackathon propriamente dito: uma competição por equipes focada no desenvolvimento de startups de saúde, na qual serão premiadas as soluções mais inovadoras para os problemas identificados.

O Hackathon contará com a presença de um grupo multidisciplinar de mais de 30 organizadores, somados a mais de 80 mentores qualificados (também de diferentes áreas de atuação), dispostos a dar suporte aos grupos dentro da atividade; no final, serão selecionados até 300 competidores para esse desafio.

De acordo com Cauê, a conferência traz enfoque sobre empreendedorismo, liderança e inovação na área da saúde, com temáticas bastante atuais como inteligência artificial, telemedicina e o futuro da medicina. “Contamos com a participação de grandes nomes nacionais e internacionais da área de medicina, tecnologia e negócios. Qualquer pessoa interessada em se atualizar sobre o assunto, ou que tem curiosidade em saber o que está por vir no futuro do cuidado em saúde, não pode perder”, disse.

 

A inovação e a tecnologia no cenário da saúde

Quando se fala em inovação, o cenário de saúde de forma geral fica muito atrás de outros setores da sociedade. É possível ver, em muitos casos, como um sistema obsoleto e ultrapassado pode prejudicar, tanto a qualidade de trabalho dos profissionais de saúde, quanto a experiência dos pacientes.

“Hoje o nosso sistema de saúde, em muitas regiões do país, apresenta-se como um verdadeiro caos: filas de espera de longa data para atendimento em serviços de saúde, falta de infraestrutura para os pacientes e médicos, ausência de comunicação entre os serviços utilizados pelos mesmos pacientes, entre outros”, comenta Cauê.

Segundo ele, tudo isso pode ser melhorado, caso as pessoas (muitas vezes, os próprios pacientes) tomem a iniciativa de compreender melhor esses problemas e, a partir de uma abordagem multidisciplinar, com um time formado por integrantes com diferentes habilidades complementares, consigam agir e criar soluções não convencionais: “Isso é inovação e, para que aconteça, com certeza devemos incluir os pacientes no processo, afinal de contas, são eles quem vivem na pele os problemas do sistema de saúde brasileiro todos os dias”.

 

Um case de sucesso

Um caso que ficou bastante famoso nos Estados Unidos e que nasceu de um hackathon, como o que está sendo implementado no Brasil, é o da PillPack – startup recentemente comprada pela Amazon e que surgiu em 2014 em um dos eventos organizados pelo time do MIT. Ele conta que três pessoas (um farmacêutico, um engenheiro e um designer) decidiram trabalhar em cima do problema da dificuldade dos pacientes que têm de tomar mais de cinco medicações ao mesmo tempo.

“Eles concluíram que existia uma grande parcela da população americana que não utilizava de forma adequada as medicações, tudo por conta de problemas para administrar os horários em que os diferentes remédios deveriam ser ingeridos. Dessa forma, criaram um serviço para facilitar a vida dessas pessoas: montaram um sistema capaz de entregar na residência de cada um, pelo correio, todas as medicações já envelopadas e marcadas com a data e a hora em que deveriam ser tomadas; assim, os pacientes só precisavam abrir o envelope no horário marcado e tomar todas as medicações ali presentes”, conta.

Com essa ideia, a PillPack foi eleita uma das 25 melhores invenções de 2014 pela Time Magazine e se destacou como uma das startups de saúde mais valiosas dos EUA. “No fim das contas, eles só conseguiram chegar onde estão porque souberam resolver muito bem a dor de um grupo de pacientes, que hoje utiliza os seus serviços e com certeza consegue tomar suas medicações de forma mais adequada”, finaliza Cauê.

SERVIÇO HACKMED

Conference
Quando? 31 de janeiro 2020.
Onde? Centro de Convenções Rebouças do Hospital das Clínicas FMUSP.
Para quem? Todos que possuem interesse em empreendedorismo, liderança e inovação na saúde, com foco especial em inteligência artificial – discutidos com referências nacionais e internacionais.
As vagas são limitadas – confira os valores e inscreva-se no site da Escola de Educação Permanente do HCFMUSP (EEP).

Health Hackathon
Quando? 1 e 2 de fevereiro de 2020.
Onde? InRad, no Hospital das Clínicas.
Para quem? Todos que tiverem interesse na resolução de problemas na área da saúde. Haverá capacidade para acomodar 200 pessoas, selecionadas de acordo com critérios do MIT – as inscrições são gratuitas e estão abertas para a segunda chamada no site.