Idosos necessitam de cuidados interdisciplinares com envolvimento da família

idosos

Idosos, como crianças, exigem cuidados específicos na Saúde. Assim como há o pediatra para os pequenos, há o geriatra ou gerontologista para os mais velhos, mas, nos dois casos, faz-se necessária a atuação de especialistas em áreas diversas para bem atender todas as questões que possam surgir.

Enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social, educação física, odontologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e farmácia, entre outros, são apenas algumas das especialidades envolvidas no cuidado e tratamento ao idoso – que podem ser realizados no hospital e se estender a unidades de longa permanência ou mesmo a sua casa. Mais do que olhar para as necessidades físicas deles, elas cobrem também questões emocionais e sociais, e têm estreito relacionamento com familiares e cuidados.

Saiba mais sobre como cada uma dessas áreas atua na Gerontologia, e os benefícios que podem prover ao paciente e às pessoas à sua volta.

 

Assistência Social

“Olhamos, sobretudo, para a questão do idoso na atualidade, principalmente para aquele que reside sozinho. Ao serviço social, cabe verificar o suporte social desse idoso e mecanismos para que possa ser reinserido na sociedade, tendo sempre seu protagonismo resguardado. Avaliamos esse suporte e a amplitude dessa rede para dar o apoio quando ele mais precisa – não só daquele que mora sozinho, mas também do que pode ter família próxima, mas nem sempre tem garantida a afetividade de que precisa. Abordamos os recursos da comunidade e a inserção dele, fazemos visitas domiciliares e articulamos com os equipamentos da região onde ele mora, buscando criar uma rede que funcione de fato.”

Bianca Perez, assistente social do Instituto Central do Hospital das Clínicas

 

Enfermagem

“Trabalhamos muito com a desospitalização e os cuidados de enfermagem em unidades de longa permanência, as LPIs. Explicamos como o manejo deve ser feito para a família quando ele vai para casa, a continuidade da assistência, medicação, alimentação, banho, enfim, é um preparo para se comunicar com a família, o ponto-chave desse cuidado, principalmente quando ele vai para casa com dependências, como sonda ou dieta especial. Com esse direcionamento, o paciente evita um reinternação rápida, para que consiga se reabilitar em casa. Se a transição for para LPI, repassamos as orientações para a equipe de enfermagem da unidade, detalhando demandas, curativos, enfim, todas as especificidades que esse paciente exige.”

Delcina Figueiredo, enfermeira encarregada do serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas

 

Farmácia

“O uso de medicamento por idosos em domicílio requer cuidados especiais, desde questões relacionadas à forma farmacêutica – é comprimido, é por sonda, pode ser feita alguma modificação para facilitar? – até a verificação de quem é o cuidador desse idoso em casa, e a verificação de que se ele consegue dar os medicamentos, estratégias para melhorar essa adesão.”

Stephanie Viana, farmacêutica clínica do Hospital das Clínicas

 

Fisioterapia

“Comportamento sedentário nos idosos, sobretudo aqueles hospitalizados. Geralmente durante internação, eles não recebem estímulos e não têm atividades. Ao ficarem acamados, há muitos prejuízos. Conseguimos, então, prevenir questões como diminuição de força muscular, além de prevenir alterações cardiovasculares, musculoesqueléticas e respiratórias. Há estudos recentes que mostram o impacto que isso tudo traz para o idoso após a internação, quando ele acaba indo para casa mais frágil e mais acamado. A ideia é prevenir esse cenário, fazendo a quebra desse sedentarismo durante a internação.”

Caroline Gil, fisioterapeuta da Enfermaria da Geriatria do Hospital das Clínicas

 

Fonoaudiologia

“A fonoaudiologia sempre atuou ativamente com idosos, engloba dificuldades de voz, audição e comunicação oral. A abordagem pode ser preventiva, com preservação da audição, rouquidão, motricidade oral e habilidades comunicativas. Além disso, por conta das patologias associadas ao envelhecimento, alguns idosos podem ficar com dificuldades para engolir, apresentando engasgos e risco de broncoaspiração. Nesse sentido, o fonoaudiólogo tem a importância da reabilitação e orientação que visem a promoção da qualidade de vida do idoso.”

Giovana Kaila Santos Batista, fonoaudióloga aprimoranda em Neurogeriatria

 

Gerosaúde

“Desde 2006, atuo no programa Gerosaúde e nossa proposta é desenvolver o protagonismo no idoso. Já passaram por nós em torno de 530 idosos – alguns buscam o protagonismo individual, e outros levam as lições para a comunidade. Treinamos os profissionais da área usando teatro amador, para que sintam como tratamos o idoso, buscando influenciar em sua qualidade de vida e na promoção da saúde.”

Rozany dos Santos, integrante do programa Gerosaúde do Serviço de Geriatria e Secretaria do Centro de Estudos e Pesquisa em Envelhecimento – CEPEN

 

Nutrição

“A desospitalização é o grande foco – que ele receba cuidado nutricional para ter recuperação clínica e nutricional. Durante a hospitalização, ele pode ter infecções, períodos de jejum, adaptações na dieta, mas isso depende do estado nutricional que ele chega a nós. Quando chega já desnutrido, existe a preocupação de se há a possibilidade de recuperação. Sem estar desnutrido, mas com uma infecção, por exemplo, existe um catabolismo metabólico, então precisamos olhar para isso também. A desospitalização é para que ele não se reinterne, uma grande estratégia que vem sendo cada vez mais utilizada por todas as equipes, inclusive a de Nutrição. Outro ponto é a questão de LPI – ele não tem uma saída de fato, mas uma transferência de unidade de cuidados e precisa de assistência. Além de avaliar o estado nutricional, temos que ver as condições alimentares que o paciente tem de aceitação, de aversões e hábitos próprios. Nesse conjunto, o nutricionista não atua apenas na assistência, mas também na produtividade e na adaptação dessa alimentação.”

Elci Almeida Fernandes, nutricionista da Geriatria do Hospital das Clínicas

 

Psicologia

“A Psicologia, enquanto parte integrante da equipe multidisciplinar gerontológica, trabalha os aspectos emocionais do idoso e seus familiares em diversas situações. Tanto em contexto hospitalar, na vida rotineira, quanto no planejamento de transição de cuidados, a Psicologia visa ajudar o idoso e sua família a lidarem, emocionante, de forma saudável com as mudanças que, naturalmente, ocorrem no processo de envelhecimento, bem como com as causadas por adoecimento e que criam uma intensificação dos cuidados e uma reorganização desses por parte da família e sociedade.”

Cecília Galetti, psicóloga da divisão de Psicologia do ICHC, Serviço de Geriatria do ICHC

 

Serviço Social e Políticas Públicas

“Fazemos a gestão de todo o trabalho aplicado ao idoso – na atenção, de caso, das pessoas que vivem na comunidade, pensando em envelhecer cada vez melhor em casa e na comunidade. Temos uma equipe interdisciplinar, com várias áreas que atuam com o objetivo de fazer uma melhor intervenção para idosos. A coordenação dessa equipe, a organização de hierarquia, de demandas e necessidades há de ser feita, então é preciso ter alguém que cuide da gestão, da família, do caso. É preciso saber como encaminhar determinada demanda, para que área, para que profissional, para que serviços da rede, da área social e da saúde, e é isso que fazemos.”

Marisa Accioly, assistente social e professora do Curso de Gerontologia da USP

 

Terapia Ocupacional

“Olhamos muito para o declínio físico e cognitivo que acomete o paciente idoso, principalmente na fase em que ele volta para a comunidade – questões de acessibilidade, movimentação pela casa, e como a família pode contribuir, estimular esse idoso. O envolvimento da família é essencial em todas as fases. É preciso entender que existe um declínio, e ele tem mais dificuldade para fazer as atividades, seja por ser agora mais lento, ter perdido força, memória ou não conseguir empregar atenção devida nas atividades, o que pode colocá-lo em risco.”

Juliana Conti, terapeuta ocupacional do Hospital das Clínicas

 

Simpósio interdisciplinar cobre tema com abrangência

A Escola de Educação Permanente do HCFMUSP organizou o SITAG – Simpósio Interdisciplinar em Temas Avançados em Gerontologia, que será realizado em 23 de novembro, na Fundação Oncocentro de SP, ao lado da Estação Sumaré do Metrô. As inscrições ficam abertas até 17 de novembro e as vagas são limitadas.

Coordenado pelo Prof. Dr. Wilson Jacob Filho, o evento vai reunir os mais avançados temas da Gerontologia, abordados por meio da discussão interdisciplinar. Tendo um caso real como pano de fundo, os temas de cada área serão apresentados e discutidos, enriquecidos pela experiência dos profissionais do Hospital das Clínicas.

Trata-se de uma oportunidade de atualização e aprofundamento de conhecimentos para todos os profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente geriátrico: enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social, educação física, odontologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e farmácia, entre outros.

Logo na abertura, haverá uma encenação feita pelos idosos atendidos pelo Serviço de Geriatria do HCFMUSP, que levarão de forma mais direta e sensível as dificuldades diárias que passam em suas rotinas.