A importância da Medicina de Emergência

importância da Medicina de Emergência

A emergência, ou o pronto-socorro, trabalha no esquema 24 por 7: nunca fecha e, lá, se espera de tudo – das patologias mais frequentes, como dor de garganta ou infecção urinária, às mais complexas, como infarto, sepse, traumas ou complicações infecciosas. O profissional de saúde envolvido nesse atendimento deve, portanto, conhecer de tudo um pouco, e esperar literalmente por qualquer coisa, o que mostra a importância da Medicina de Emergência.

“Não queremos saber tudo sobre diabetes, não vamos discutir o uso de drogas orais para ela, mas sim como tratar uma emergência relacionada, como uma acidose ou estado hiperosmolar. Por isso, digo que, na emergência, temos os 15 minutos mais interessantes de todas as especialidades”, diz Dr. Rodrigo Antônio Brandão Neto, um dos coordenadores do curso de Medicina de Emergência da EEP.

O médico explica que, desde a década de 1990, a disciplina de Emergências Clínicas do HC conduzia um curso semelhante – que cobria especificamente essa parte clínica, como infarto, pneumonia ou choque séptico -, mas emergência não era, então, considerada uma especialidade, o que só se tornaria realidade no Brasil em 2015.

“Já naquela época, o curso fazia sucesso e causava impacto, porque muitos profissionais que trabalham no setor ficam, por vezes, inseguros com o que fazer. Geralmente, entram no pronto-socorro os recém-formados, e isso não é o ideal, pois é um local que deveria contar com pessoas com melhor formação”, ele defende.

Com a concretização da especialidade, surgiu a residência na área, e os professores identificaram a necessidade de abordar as emergências que fugiam do escopo clínico, como as relacionadas a traumas, ou tudo que poderia ser encontrado em um pronto-socorro. Tornou-se mais transparente a importância da Medicina de Emergência.

“Aqui no HC, temos o luxo de ter um PS multidisciplinar, mas, na maior parte dos lugares, isso não ocorre, e pode haver só um médico. Ele precisa ver todas as circunstâncias, ter uma base de tudo, pois faz o primeiro atendimento. Por isso, desenvolvemos esse curso com um escopo ainda maior em relação a especialidades cirúrgicas também”, explica Dr. Rodrigo.

Há, ainda, a questão econômica para os hospitais – a literatura diz que ter um especialista não é tão viável; quem atender na área deve, preferencialmente, saber resolver tudo, e daí a necessidade de um curso para de fato formar, ou atualizar, esse profissional.

“Recebemos muitos alunos jovens, que vão trabalhar em emergência ou querem se preparar para uma prova, um concurso. Mas eu diria que grande parte do público é o médico que já trabalha no PS e precisa se atualizar. O conteúdo oferecido também é de grande utilidade para quem vai prestar a prova de título da especialidade”, reforça.

A EEP tem inscrições abertas para o curso online; o blog já fez uma apresentação do curso com um de seus coordenadores, o Dr. Julio F. M. Marchini, supervisor suplente da residência de Medicina de Emergência do HCFMUSP.

Também coordenador do curso, o Prof. Dr. Heraldo Possolo de Souza ressalta seu conteúdo atualizado anualmente.

Ele lembra que o conhecimento médico, especificamente, dobra a cada dois ou três anos: “No fim da década de 1970, surgiu uma abordagem muito mais estatística para a Medicina, e foi quando nasceu a Medicina baseada em evidências. Hoje, tenho que ter uma evidência científica sólida e uma base estatística muito grande; tenho que ter o cuidado com o paciente, o que vai resultar em um tratamento melhor. A medicina que eu aprendi já não é tão válida, porque tem uma abordagem muito diferente. O conhecimento médico muda muito, e está cada vez mais específico; aquilo que hoje você usa como tratamento daqui um ano você não usará mais, o que reforça a importância da Medicina de Emergência”, diz Dr. Heraldo. Por isso, o curso oferecido pela EEP é atualizado todos os anos; não há repetição de conteúdo.

 

O caminho trilhado pela Medicina Intensiva

Dr. Heraldo acredita que a Medicina de Emergência seguirá a mesma rota da Medicina Intensiva.

Ele lembra que, há cerca de 20 anos, foi criada a especialidade da intensiva; no início, então, conviviam na área o médico não especialista e o que tinha se formado na área. “Hoje, em qualquer UTI do Brasil, você encontra 60%, 90% de médicos com formação em Medicina Intensiva, e os poucos que não têm são os mais antigos, terminando a carreira”, diz.

Para Dr. Heraldo, a Medicina de Emergência passará por isso; “hoje ainda encontramos em PS médicos de todas as especialidades, mas acho que em 10, 20 anos isso acaba. Quem vai cuidar da área é o médico de emergência, e quem estiver entrando no barco agora tem a chance de se colocar muito melhor nesse mercado. Do ponto de vista de carreira, é muito promissor”, prevê.

Há, também, o fato de o vínculo entre o médico e o paciente ter diminuído muito: “É raro quem tem um médico de referência; atualmente, a porta de entrada é o pronto-socorro, e cada vez mais será. A pessoa não quer esperar para marcar uma consulta daqui a dois dias; ela vai ao PS resolver um problema que nem seria do PS, e é muito pouco provável que nosso sistema de saúde mude nesses próximos 20 ou 30 anos. Cada vez mais, teremos mais prontos-socorros, o que só aumenta a importância da Medicina de Emergência”, avalia Dr. Heraldo.

Assim, quem entra na especialidade precocemente estará na vanguarda. Ao prever isso, o curso conta com aulas de gerenciamento, porque entende estar preparando quem será o responsável pelo pronto-socorro daqui pra frente.