Primeiros socorros: o Brasil amadurece para o assunto

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Se alguém passar mal na sua frente, sofrer um desmaio, engasgo ou parada cardiorrespiratória, você sabe o que fazer? Sabia que, a cada minuto sem receber manobras de primeiros socorros ou desfibrilação, a vítima perde de 7% a 10% de chance de sobrevivência?

Em um mundo ideal, todos deveriam saber lidar minimamente com um quadro assustador como esse, simplesmente porque podem fazer a diferença e garantir a sobrevivência da pessoa, inclusive sem sequelas.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por aproximadamente 362.091 mortes em 2016.  Ainda, a aspiração de corpo estranho (engasgo) é a terceira maior causa de morte acidental nas crianças brasileiras – e 94% dos casos ocorrem antes dos 7 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria. A entidade afirma que “no Brasil, milho, feijão e amendoim são os grãos mais comumente aspirados na faixa etária pediátrica. Por outro lado, o material mais relacionado a óbito imediato por asfixia é o sintético, como balões de borracha, estruturas esféricas, sólidas ou não, como bola de vidro e brinquedos”.

(Referência: BRASIL. DATASUS [internet]. Número de óbitos por doenças do aparelho circulatório, 2016 [citado 2018 junho 18]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/obt10am.def).

 

Agora é lei para professores e funcionários de escolas

Em setembro de 2017, Lucas, um garoto de 10 anos, morador de Campinas, se engasgou ao comer um cachorro-quente servido durante um passeio da escola e acabou por falecer. A família apontou que ele não recebeu o atendimento de primeiros socorros adequado e a causa do óbito foi asfixia mecânica. A partir de então, a mãe de Lucas, Alessandra Zamora, iniciou um movimento pela obrigatoriedade de cursos aos funcionários das escolas.

Alessandra estaria ali iniciando um movimento positivo para o amadurecimento do Brasil nesse cenário.

A Lei 13.722, de 2018, ficou conhecida como Lei Lucas. Depois de Alessandra lutar muito, a lei passou a ser nacional e determina que professores e funcionários de escolas públicas e privadas, de ensino infantil e básico, sejam capacitados em primeiros socorros. Assinada pelo então presidente Michel Temer em 4 de outubro de 2018, entrou em vigor este ano, mas ainda não está regulamentada.

 

O inovador LifeVac chega ao Brasil

O olhar mais cuidadoso para o tema ganha ainda um suporte essencial: a chegada ao País do dispositivo LifeVac. Este curto vídeo mostra seu funcionamento:

 

 

Trata-se de um equipamento simples que forma uma pressão na boca e no nariz da vítima, e puxa o corpo estranho para fora.

A adoção do dispositivo por escolas ajudará, e muito, na sobrevivência em caso de engasgos, e a ideia é que outros ambientes propensos a lidar com esta realidade, como restaurantes, também o adotem.

 

Profissionais da saúde e população em geral devem se preparar

A Lei Lucas e o LifeVac mudam o cenário de primeiros socorros no Brasil: o conhecimento obrigatório por lei para alguns, é, na verdade, essencial para todos. Qualquer pessoa pode passar por um evento de mal súbito, e quem estiver minimamente preparado pode ser o responsável pelo salvamento.

Focada na educação para a saúde e comprometida com a missão de treinar as pessoas a salvar vidas, a Escola de Educação Permanente do Hospital das Clínicas (EEP HCFMUSP) oferece treinamentos para médicos, profissionais da saúde e também para o público em geral, em todo o âmbito de emergências cardiovasculares.

“Os cursos de primeiros socorros são essenciais para aumentar a sobrevivência da parada cardiorrespiratória, especialmente no ambiente extra-hospitalar, e por isso a necessidade do leigo também dominar o tema”, afirma a enfermeira Thatiane Facholi Polastri, coordenadora dos cursos de Suporte Básico de Vida da EEP, que faz parte do Centro de Treinamento dirigido pelo Dr. Sergio Timerman.

Um dos principais cursos para o público em geral hoje oferecido é o de Primeiros Socorros RCP e DEA, direcionado a qualquer pessoa que deseja aprender como iniciar o atendimento de emergências clínicas e traumáticas. “Nele, explicamos como fazer os primeiros socorros, como atender emergências que podem levar à parada cardíaca, como engasgo, desmaio, convulsão ou hipoglicemia, e também ensinamos as manobras de ressuscitação cardiopulmonar”, explica Thatiane.

Já para médicos e enfermeiros, um dos principais cursos disponíveis é o ACLS Provider – Suporte Avançado de Vida em Cardiologia; neste, há a discussão e simulação realística de casos.

“Fazendo parte da EEP, o Centro de Treinamento em Emergências Cardiovasculares agrega ainda mais conteúdo para todos os tipos de público. O Centro oferece diversos treinamentos, incluindo os programas certificados pela American Heart Association, que, por vezes, são exigidos dos profissionais de saúde pelas instituições médico-hospitalares. É a experiência do InCor HCFMUSP somada e centralizada, para facilitar o acesso dos alunos”, finaliza Dr. Sergio Timerman.