Ultrassonografia no Point of Care: diagnóstico rápido salva vidas

ultrassonografia no Point of Care

O desenvolvimento da tecnologia na Saúde só tem a beneficiar pacientes ao aprimorar os cuidados de forma geral, e nada mais tranquilizador do que saber que esses benefícios podem ser usufruídos quando a situação é crítica – em uma emergência, centro cirúrgico, terapia intensiva ou enfermarias, por exemplo.

O exame de ultrassonografia no Point of Care – na sigla em inglês, POCUS – é hoje um dos grandes aliados nos cuidados, um método moderno de assistência ao paciente. De forma literal, seria o exame feito no local de atendimento para oferecer dados imediatos, de alta confiabilidade à equipe de saúde, para que possam obter resultados clínicos, operacionais e mesmo econômicos satisfatórios.

Trata-se, assim, de um estudo ultrassonográfico rápido e sistemático direcionado para um fim específico, normalmente realizado à beira do leito para responder uma pergunta relativa à condição ou queixa do paciente.

Dr. Felipe Carneiro (EEP)

Como não visa um diagnóstico mais amplo e descritivo, pode ser realizado por médicos não radiologistas, desde que estes sejam bem treinados para tal. “O POCUS vem sendo cada vez mais utilizado para responder questões e guiar condutas em emergências e cirurgias, entre outros, tornando-se cada vez mais uma ferramenta importante em benefício da saúde coletiva”, afirma Dr. Felipe Carneiro, médico radiologista do Instituto de Radiologia (InRad – FMUSP) e do Hospital Sírio-Libanês. Ele também coordena os cursos de Ultrassom – Point of Care – da Escola de Educação Permanente (EEP – FMUSP): o de Ultrassonografia Musculoesquelética Point of Care – Anatomia, Técnica de Exame e Hands on para Procedimentos Guiados; Ultrassonografia Point of Care em Emergência e UTI e Ultrassonografia Point of Care da Pelve Feminina Normal e Variações Fisiológicas.

Esse uso focado do exame acaba por resolver dúvidas diagnósticas pontuais que resultam em tomada de decisões terapêuticas rápidas; na sequência, o objetivo é que melhorem o desfecho da condução clínica dos pacientes.

Além disso, Dr. Felipe ressalta que o POCUS tem direcionado procedimentos intervencionistas, como drenagem de líquidos na cavidade e servir como guia para punções vasculares. “No ambiente de centro cirúrgico, o uso focado da ultrassonografia intraoperatória tem se tornado muito relevante na localização de pequenas lesões, além da localização de estruturas nobres com o intuito de evitar lesões iatrogênicas”, reconhece.

 

Capacitação: o ultrassom não é tão simples quanto parece!

A capacitação dos médicos que desejam utilizar o POCUS é fundamental. Muitos acreditam que o exame é de fácil condução e manuseio e, por vezes, fazem mau uso do equipamento.

Por isso, Dr. Felipe defende um treinamento adequado e abrangente: “É preciso saber desde o conhecimento dos princípios físicos da formação da imagem ultrassonográfica, reconhecimento dos botões, otimização e ajustes da imagem e reconhecimento das estruturas anatômicas normais até o reconhecimento de patologias! Nenhum passo pode ser pulado, pois pode resultar em mau uso da técnica e prejuízo ao paciente!”, ressalta.

O fato é que a tecnologia tem tornado o método mais intuitivo, e os novos softwares têm fornecido mais informações, com cálculos automáticos e melhor resolução de imagem. “Porém, é estritamente necessária a capacitação adequada”, enfatiza.

Atualmente, há numerosos modelos de equipamentos ultrassonográficos portáteis, ideais para o Point of Care, e cada um tem sua utilidade específica. Modelos com mais portabilidade, como os de bolso, contam com um transdutor que se conecta por wi-fi a um tablet ou celular, e são mais indicados para guiar procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Modelos portáteis maiores, com mais recursos, são indicados para o ambiente de terapia intensiva ou centro cirúrgico onde o diagnóstico focado precisa ser mais preciso.

De qualquer forma, o domínio não apenas das questões de saúde e condições do paciente, mas também dessas tecnologias é essencial para o bom atendimento e o sucesso no procedimento – daí a necessidade de atualização constante na área.